sexta-feira, 29 de junho de 2012

Metronome.

E se nós contássemos história como se fosse um grande romance épico ou como uma coletânea de contos maravilhosos e lendas fascinantes?
E se nós andássemos pelas ruas como investigadores, pesquisando resquícios de antigas civilizações?
E se nós imaginássemos anedotas da vida pessoal dos reis, papas, santos ou então - por que não? - dos cidadãos comuns?
Lorànt Deusch faz tudo isso.
Duramente criticado por historiadores por não citar suas fontes e ser totalmente parcial e tendencioso em seus relatos, Lorànt Deusch é legal por isso: os livros de história certinhos eu li na escola (e nem entrarei no mérito de dizer que, eles também, não eram nada neutros), agora, eu quero a história contada por um apaixonado. Eu quero me apaixonar também.

                               Na cama com Métronome, para ficar apaixonado.

terça-feira, 26 de junho de 2012

ἀπάνευθε νεῶν

Enquanto não consigo parar para escrever, vou lendo este singelo blog que preenche meus pensamentos com palavras.
Imagens.
Se seu blog é uma fuga, seu livro deve ser um aconchego.

Por aqui, por favor.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

CMS x VDM

O Classe média sofre recebe auxílio dos leitores que enviam ao blog flagrantes da classe média sofrendo. Eles sofrem pela 'orkutização' do facebook, pela popularização nos preços de passagens aéreas que povoam os aeroportos de gentalha pobre e pela inclusão digital que enche a internet de jente q screve td erado.
A classe média sofre pela má qualidade do transporte público nacional - bom mesmo é pegar metrô em NY, Londres e Paris.

O Vie de merde é blog no qual as pessoas postam desabafos. Não entendi muito bem como funciona essa coletividade. É tão engraçado quando o brasuca, mas provoca reações bastante diferentes. Os leitores podem marcar a cada post "realmente, vida de merda" ou "você bem mereceu".

Aqui vão alguns exemplos: 

"Hoje, reportagem sobre minha empresa em um canal francês. Durante minha entrevista, meu rosto é embaçado e minha voz alterada para que eu não seja reconhecido enquanto critico abertamente o patrão. Acontece que eu sou a única pessoa negra da minha empresa. O embaçado não serviu para nada. VDM."

"Hoje, com 33 anos e após quinze anos de vida de casada, volto a morar com meus pais. Para me deixar à vontade, minha mãe deixou meus brinquedos de infância no meio da sala. VDM."

"Hoje, eu sou uma quebequense de férias na França. O controlador do trem me diz para compostar meu ticket de transporte. Eu agradeço a informação, felicito a França por ser tão ecológica e lhe digo que não, não esquecerei de jogar meu ticket no lixo orgânico saindo do trem. VDM."

O site está disponível em diversas línguas.

Clique aqui e aqui.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Adeus aos escargots


Adeus aos escargots - Ascensão e queda da culinária francesa tem o igualmente belo título original Au revoir to that all - Food, wine and the end of France.
"the end of France" é exatamente do que o livro trata. Ora, é muita ingenuidade achar que essa "queda" existe porque os escargots saíram de moda.
De início a linguagem leve e jovial de Steinberger é cativante, mas ao longo da obra ela vai se tornando repetitiva e exaustiva, exalando mediocridade. Digo, esse negócio de descrever o clima a cada vez que ele sai de casa e a roupa e o cabelo de cada pessoa que ele encontra... teria sido melhor se concentrar na comida. "Era uma tarde de verão..." não convence nem criancinhas.
Outra característica que incomoda em Steinberger é o fato de ele não conhecer absolutamente nada sobre o verdadeiro modo de vida dos franceses, longe de esteriótipos do luxo do blvd. St. Germain ou da pobreza na banlieue. Para ele, o francês popular, o do dia-a-dia, do cotidiano, nada mais é que o americano! Em diversos momentos ele deixa clara essa visão completamente alienada sobre a França.
Mais uma falha: tudo que ele leu sobre a França, todas as suas referências históricas e teóricas são americanas! Como é que alguém dito tão erudito, tendo indo tantas vezes ao território fonte de suas pesquisas, não se deu ao trabalho de ler historiadores locais?
Finalizando, como era de se esperar, Steinberger culpa claramente o declínio da sociedade francesa pelo possível declínio do capitalismo. Sua obra é permeada de frases como: "a França é o último país comunista" ou "a decadência veio com o socialismo de François Mitterand". Sem ricos, a alta gastronomia não se sustenta. Sem desigualdade social, ela não se destaca.
Ó céus! A justiça social está destruindo os bons costumes da cozinha. O que farei agora que esses pobres acabaram com o bom queijo de leite cru? Por que eles acham que saúde é mais importante? Isso é um absurdo! Agora qualquer boteco pode ter três estrelas no Michelin... onde é que esse mundo vai parar?