segunda-feira, 21 de maio de 2012

O melhor e o pior de Bsb.

Um breve comentário para criticar o crítico: como eu, muitas outras pessoas decidiram brincar de criticar em blogs na última década. Teve a modinha de falar sobre filmes, a avalanche de blogs sobre música (com posts muitas vezes acompanhados por links para download), em que alguns jovens se sentiam o Lester Bangs falando de bandas de músicos mais jovens ainda, que não duraram tempo suficiente para amadurecer, depois a onda das menininhas que postavam vedetes com visuais inspiradores ou fotos delas mesmas brincando de experimentar roupas frente ao espelho do quarto ou do provador da Riachuelo e... mais recentemente, os críticos gastronômicos!
De todos esses grupos, sempre há um blog ou outro que se sobressai, e posso até trazer exemplos disso futuramente. Entretanto, o maior quinhão dessa história fica para os que apenas repetem informações já amplamente divulgadas pela internet, sobre objetos pouco atraentes e pessimamente (d)escritos.
É o caso do O melhor e o pior de Bsb, que transborda linguagem medíocre, opiniões pouco originais e conclusões nada surpreendentes.
O pior do amadorismo dos blogs é quando ele não é assumido, e o blogueiro se acha autoridade no assunto, enaltecendo bibocas comerciais, cuspindo em ambientes acolhedores e se fixando aos bordões afetados da crítica gastronômica, com ares de superioridade.
Não foi desta fez que encontrei uma boa fonte para dicas de restauração e entretenimento em Brasília, mas continuo buscando, talvez juntamente à grande parcela forasteira da população, ou dos que apenas passam pela cidade, partindo sem ter experimentado nada novo e agradável.

Clique (ou não) aqui.

domingo, 20 de maio de 2012

Bitaites.

Sempre critico os portugueses mas ando encontrando muito mais blogs bacanas escritos em português europeu, que no português aqui do nosso lado do oceano.
É o caso do Bitaites, blog de Marcos Santos e Rui Eduardo Paes, embora eu tenha encontrado mais posts do primeiro - e é sobre ele que falarei. Li textos escritos entre 2009 e 2012, mas não procurei maiores informações técnicas sobre outros colaboradores, data de criação, profissão e origem de Marcos...
O que me chamou atenção imediatamente nesse blog foi sua escrita. Aparentemente impecável, depois de  um primeiro contato, lendo mais posts descobre-se a sua falta: o de escrever de forma excessivamente pessoal e apaixonada. Desse modo, cai-se em julgamentos tendenciosos e vulgariza-se a linguagem.

Aqui vão algumas amostras do que pode ser lido no blog:

"Tenho recebido algumas mensagens de pessoas que não sabem o que fazer com os ficheiros CUE incluídos nas mixtapes. Presumo que estão a usar Windows (a malta mais geek do Linux e dos Mac saberá safar-se)" 


Presumiu até demais. Chamar usuário de Mac de geek ou presumir que se alguém desconhece o formato, não pode usar Linux ou Mac é se afastar muito da realidade. Ele poderia pressupor que estão usando Windows simplesmente porque é o mais comum e mandar a explicação poupando os leitores desse comentário.

"A morte prematura de um artista provoca uma dor de duplo sentido: chora-se pelo que ele já nos deu e pelo que nos poderia ter dado. De Frank Zappa a Jeff Buckley, de Janis Joplin a Lhasa de Sela, de Kurt Cobain a Amy Winehouse, de Esbjörn Svensson a Bernardo Sassetti; Charlie Parker, John Coltrane, Eric Dolphy, Bill Evans, John Lennon…"

Se empenhou tanto citando exemplos para mostrar o quanto conhecia...
que não soube terminar a frase.

"Bernardo Sassetti não se suicidou, como especulam os imbecis que parasitam as caixas de comentários dos jornais"

Por que  desabafo de um fã sempre tende à deselegância?

Excetuando-se esses momentos em que se desvia ligeiramente dos trilhos, Marcos Santos consegue manter uma escrita clara, coerente e agradável. Não acesse no trabalho, sob risco de  perder-se por horas em sua leitura e ter problemas com o patrão. 


Clique aqui.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Antoine Wiertz.


Precoce pintor e escultor belga do sec. XIX, quando jovem se iniciou na pintura com a estética barroca flamenga. Em seguida, após estadia em Roma, retorna ao seus país trabalhando temas mitológicos.
Com a morte de sua mãe, se instala na capital, onde, apesar de seu sucesso, não consegue vender suas obras. Na miséria, propõe ao governo um acordo que seria a troca de suas obras por um atelier.
Recluso em seu eremitério, Wiertz se inicia nos combates filosóficos de seu tempo.

Em tempo, Wiertz recusou vender obras por alegar que nunca estavam finalizadas. E ele é anterior a Valéry, que dizia:  "Aux yeux de ces amateurs d’inquiétude et de perfection, un ouvrage n’est jamais achevé, – mot qui pour eux n’a aucun sens, – mais abandonné”.*

E ainda, o atelier de Wiertz atualmetne funciona como museu e refúgio para artistas. Pouco conhecido, não recebe mais que 5.000 visitantes anualmente. Está localizado no bairro Léopold, em Bruxelas, o mesmo em que tive meu carro roubado em passagem pela cidade. ( :

VALÉRY, P. Varieté III. Paris: Gallimard, 1936. p. 56. (Com sua permissão, Sara - que conseguiu a referência)

Todas as informações foram desavergonhadamente retiradas da Wikipedia

A imagem acima se chama "La lectrice de romans" ou, em tradução minha (que me identifico muito com a personagem), "Gordinha lendo um livro".

Quis postar essa imagem porque hoje é aniversário do meu blogueiro preferido, autor do Bibliophilie.

Estrangeiros para nós mesmos.

A rejeição de um lado, o inacessível do outro: se tiver forças para não sucumbir a isso, resta procurar um caminho. Kristeva

Estou relendo o capítulo "Tocata e fuga para o estrangeiro", que foi discutido em um curso há umas três semanas, e ainda não o esqueci, principalmente porque tenho ouvido muito as fugas de Bach, e além das questões que tenho me colocado sobre o estrangeiro (coincidentemente esse é o nome do livro que eu mais gostava e relia em minha adolescência), ainda me pergunto por que a fuga tem esse nome. Preguiça de caminhar até uma estante e folhear um livro de teoria musical. Fica para mais tarde.

Kristeva, J. Estrangeiros para nós mesmos. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. Trad. Maria Carlota Carvalho Gomes.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Não gosto de plágio.

Blog no qual a tradutora Denise Bottmann denuncia plágios de traduções.
Prova de que um assunto interessantíssimo pode ser tratado de forma tediosa, aqui Bottmann deixa transparecer uma certa arrogância e mau humor, levando-me a imaginá-la como as professoras universitárias cinqüentonas que encontro pelo Brasil afora, dessas que acham que se consagraram como pesquisadoras e que agora lecionar é uma humilhante tortura.
Priorizando quantidade (em detrimento de qualidade), o blog não se aprofunda muito em nenhum assunto ou obra, mas é ótima fonte para idéias de pesquisas. Já que joga aleatoriamente informações interessantes, por que não propor alguma forma de organizá-las?

Aliás, por que diabos eu acho que alguém deveria tecer discussões profundas sobre algum objeto em um blog?

Além desse, Bottmann possui mais seis blogs. O último criado foi o A biografia de Van Gogh, no qual ela divulga pequenas informações encontradas ao longo de seu processo tradutório da biografia de Van Gogh.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

(Sendak.)

Maurice Sendak faleceu ontem, no dia do Armistício da Segunda Guerra.
Um dia de derrota, mas de paz.

Em sua homenagem, compartilho o belo presente que recebi do Fernando esta manhã:



domingo, 6 de maio de 2012

Outros cadernos.

"Espero que os livros em papel ainda tenham uma longa vida"  
Saramago

José Saramago iniciou suas atividades como blogueiro em setembro de 2008, a pedidos de sua mulher, a jornalista espanhola Pilar del Río.
O escritor criticava o advento desmesurado dos blogs, que teria aumentado a produção escrita/literária quantitativamente, mas não de forma qualitativa. Ele mesmo dizia cuidar tanto de um texto postado em seu blog quanto de uma página de romance.
Debatendo questões sobre downloads de obras musicais e literárias, Saramago se posicionava contra, pois os autores precisam das vendas de suas obras para viver, e esperava que os livros em papel ainda tivessem uma longa vida.
Ótima fonte para epígrafes sobre o tema, ainda proferiu a frase:  "os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo".
Saramago escrevia em seu blog sobre tudo o que sentisse no momento. Adotou causas de países do mundo afora, enquanto morava com sua mulher nas Ilhas Canárias.
Um livro que reunia textos publicados em seu blog foi vetado na Itália.

Na internet Saramago podia escrever com liberdade. Seu último post versava sobre a necessidade de filosofia e reflexão na sociedade atual.

Ainda hoje o blog é atualizado pela Fundação José Saramago, fundada por Pilar del Río.

Clique aqui (e leia o sismógrafo de José Saramago).

Em tempo, vale a pena ler esse comentário sobre a narração de Saramago.