Há quase um ano, no dia três de julho, eu pensava muito sobre a pressão de se fazer tudo rapidamente. No dia seguinte, alguém postou no facebook esta fábula de La Fontaine, que nos ensina que rien ne sert de courir: il faut partir à point - é inútil se apressar, há um tempo para cada coisa, e é preciso fazer cada coisa em seu tempo. Reli tantas vezes essa fábula, traduzi tudo mentalmente. Quase um ano depois, faço de forma concreta (chegou o tempo?). É uma primeira versão. Quando for tempo, será divertido retraduzir, considerando sua forma, que aqui foi deixada de lado. Enquanto isso vou me apropriando. A imagem é a mesma que encontrei no facebook, mas não sei qual é a fonte, e nem quem a divulgou.
De nada serve correr; é preciso partir na hora:
A Lebre e a Tartaruga são testemunhas disso.
Apostemos, disse esta, você não alcançará
Tão cedo quanto eu este alvo. -- Tão cedo? Você está consciente?
Retomou o animal ligeiro:
Minha comadre, você precisa purgar
com quatro grãos de heléboro.
-- Sábio ou não, eu ainda aposto.
E assim foi feito, e de ambos
Colocou-se junto ao alvo as apostas.
Saber o que são, não vem ao caso,
Nem qual juiz nos convém.
Nossa lebre tinha apenas quatro passos a dar;
Refiro-me aos que ela quando, perto de ter atingida,
Afasta-se dos cães, envia-os as calendas
E os faz percorrer as terras.
Tendo, digo, tempo de sobra para pastar,
Para dormir e para ouvir
De onde vem o vento, ele deixa a Tartaruga
Avançar a seus passos lentos.
Ela parte, ela se esforça,
Ela se apressa com lentidão.
A lebre entretanto despreza uma tal vitória;
Confere a essa aposta pouca glória,
Crê que faz a sua honra
Partir tarde. Ele pasta, ele descansa:
Ela se diverte com coisas outras
que não a aposta. No fim quando viu:
Que a outra tocava quase o fim da linha,
Ela partiu como um raio; mas os impulsos que fez
Foram vãos: a Tartaruga chegou primeiro.
Pois bem! gritou-lhe ela, eu não tinha razão?
A que serve sua rapidez?
Eu a venci! E como seria
Se você carregasse uma casa?

Nenhum comentário:
Postar um comentário