Sempre critico os portugueses mas ando encontrando muito mais blogs bacanas escritos em português europeu, que no português aqui do nosso lado do oceano.
É o caso do Bitaites, blog de Marcos Santos e Rui Eduardo Paes, embora eu tenha encontrado mais posts do primeiro - e é sobre ele que falarei. Li textos escritos entre 2009 e 2012, mas não procurei maiores informações técnicas sobre outros colaboradores, data de criação, profissão e origem de Marcos...
O que me chamou atenção imediatamente nesse blog foi sua escrita. Aparentemente impecável, depois de um primeiro contato, lendo mais posts descobre-se a sua falta: o de escrever de forma excessivamente pessoal e apaixonada. Desse modo, cai-se em julgamentos tendenciosos e vulgariza-se a linguagem.
Aqui vão algumas amostras do que pode ser lido no blog:
"Tenho recebido algumas mensagens de pessoas que não sabem o que fazer com os ficheiros CUE incluídos nas mixtapes. Presumo que estão a usar Windows (a malta mais geek do Linux e dos Mac saberá safar-se)"
Presumiu até demais. Chamar usuário de Mac de geek ou presumir que se alguém desconhece o formato, não pode usar Linux ou Mac é se afastar muito da realidade. Ele poderia pressupor que estão usando Windows simplesmente porque é o mais comum e mandar a explicação poupando os leitores desse comentário.
"A morte prematura de um artista provoca uma dor de duplo sentido: chora-se pelo que ele já nos deu e pelo que nos poderia ter dado. De Frank Zappa a Jeff Buckley, de Janis Joplin a Lhasa de Sela, de Kurt Cobain a Amy Winehouse, de Esbjörn Svensson a Bernardo Sassetti; Charlie Parker, John Coltrane, Eric Dolphy, Bill Evans, John Lennon…"
Se empenhou tanto citando exemplos para mostrar o quanto conhecia...
que não soube terminar a frase.
"Bernardo Sassetti não se suicidou, como especulam os imbecis que parasitam as caixas de comentários dos jornais"
Por que desabafo de um fã sempre tende à deselegância?
Excetuando-se esses momentos em que se desvia ligeiramente dos trilhos, Marcos Santos consegue manter uma escrita clara, coerente e agradável. Não acesse no trabalho, sob risco de perder-se por horas em sua leitura e ter problemas com o patrão.
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